domingo, 16 de novembro de 2008

VIOLÊNCIA CONTRA ADOLESCENTE


Promover o bem comum, eliminar preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e outras formas de discriminação são compromissos de todos os brasileiros para a efetiva conquista de uma sociedade livre, solidária, humana e igualitária onde a cidadania deve ser entendida em seu sentido mais amplo: igualdade de direitos de oportunidade e de participação e co-responsabilidade pela vida social - cujo desenvolvimento tenha como fundamentos básicos o comprometimento com a redução das desigualdades e erradicação da pobreza e marginalização.

Na adolescência, uma fase especial e significativa da vida, na qual as descobertas e conquistas estão relacionadas com a afirmação pessoal e busca de novas alternativas, as aspirações de bem-estar social vêm sendo sufocadas por manifestações adversas decorrentes do crescimento desordenado das cidades, da miserabilidade de grande faixa da população e do aumento da violência em todas as suas formas - especialmente naquela entre e contra os adolescentes.

Tendo em vista a dimensão do problema, seria aconselhável e oportuno considerar alguns indicadores de agravos à saúde ocasionados por causas externas, entre as quais destacam-se os acidentes extradomiciliares e a violência urbana.

Atualmente, acidentes de trânsito, homicídios e suicídios são responsáveis por cerca de 75% dos óbitos ocorridos em adolescentes do sexo masculino; no feminino, a gravidez e parto também associam-se como responsáveis por expressivo número de mortes prematuras - em 1993, por exemplo, as mortes maternas (óbitos em mulheres que estavam grávidas) de adolescentes brasileiras representou aproximadamente 15%, e em todo o mundo a gravidez na adolescência vem crescendo significativamente.

Em 1995, do total de partos registrados pelo sistema de saúde, cerca de 25% foram de mães com até 19 anos de idade, com riscos acentuados. Por outro lado, o ingresso precoce no mundo do trabalho - com mínimas condições de higiene e segurança, equipamentos inadequados (quando existem) e, na maioria das vezes, usurpação dos direitos legais garantidos - vem contribuindo para a ocorrência e aumento de doenças ocupacionais e acidentes entre os jovens. Em nosso país, entretanto, esse problema é apenas percebido, haja vista a precariedade do registro sistematizado desses dados.

Concomitantemente, o uso indevido de drogas vem se constituindo em assunto isolado no contexto, uma vez que as dimensões da demanda social em relação ao tema exigem enfoques diferenciados e as dificuldades e até mesmo desconhecimento do problema têm limitado sua discussão.

No caso da AIDS, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) sugere que a contaminação pelo HIV ocorre precocemente e está associada à iniciação sexual sem proteção, bem como ao uso inadequado de seringas, quando da administração de drogas injetáveis.

Quanto às drogas legais, o álcool - seguido do cigarro, inalantes e tranqüilizantes - situa-se em primeiro lugar entre as drogas preferenciais dos adolescentes. Com relação ao tabaco, que contribui como fator de risco para a morte prematura, as restrições de propaganda na mídia em pouco têm contribuído para a diminuição de seu consumo entre os jovens. A OPAS aponta que o hábito de fumar inicia-se na adolescência - período em que a sociedade, contraditoriamente, estimula o jovem ao consumo de álcool.

É evidente, entre crianças e adolescentes, o aumento do consumo de diferentes drogas psicoativas como o crack, a maconha e a cocaína - as quais podem assumir papel importante na vida do adolescente, que as utiliza como elemento facilitador da comunicação, da busca do prazer ou simplesmente como apoio aos desafios apresentados no dia-a-dia.

Hoje, infelizmente, a violência vem perigosamente se integrando à rotina diária dos adolescentes brasileiros. Decorrente da tensão social potencialmente localizada na faixa etária de 15 a 20 anos, o homicídio é responsável pela morte de muitos jovens - em 1997, cerca de seis mil adolescentes foram assassinados. Em nosso país, as taxas de mortalidade entre homens de 15 a 24 anos são, em sua maioria, 50% maiores que as dos Estados Unidos e 100% maiores que as do Canadá, França ou Itália. Ressalte-se que essa causa de morte não restringe-se apenas aos grandes centros urbanos, pois expandiu-se também para as regiões de garimpos e de conflitos de terras, grandes facilitadores de situações de violência.

No sexo masculino, os acidentes de trânsito representam a maior causa de morte entre os jovens, geralmente relacionados com o consumo de bebidas e outras drogas. A vulnerabilidade dos jovens a esse tipo de acidente resulta da imaturidade emocional e social; assim, não se comportam adequadamente quando dirigem um carro ou motocicleta. Correr riscos, desafiar a autoridade e quebrar regras estabelecidas são, na maioria das vezes, elementos mais fortes do que os sentidos da autopreservação e da cidadania.

O suicídio situa-se como uma das três mais importantes causas de morte entre os adolescentes e é, provavelmente, a forma emocional mais devastadora da violência, pois impõe à família um pesado ônus eivado de sentimentos de culpa, perda, luto e desespero. A cada cinco minutos, um jovem – preponderantemente do sexo masculino - se suicida. Atualmente, pelo menos 100 mil adolescentes cometem suicídio em todo o mundo. No Brasil, em 1997 foram registrados 683 suicídios na faixa etária de até 19 anos, o que representa cerca de 10% do número total de mortes por essa causa

Diversos fatores caracterizam a adolescência como população de risco: doenças que comprometem o desenvolvimento (antecedentes de patologias mentais), ambiente familiar desestruturado, convívio com algum tipo de violência, depressão, abuso físico, falta de objetivos, ansiedade em relação à identidade sexual, gravidez não planejada, infecção por HIV, problemas familiares, isolamento social, competição intensa na escola, desemprego, uso de drogas e rompimento de relações íntimas contribuem sobremodo para o aumento da violência entre os jovens - tanto contra si mesmo (suicídio e acidentes) como contra os outros (agressões e homicídios).

A violência na família assume várias formas: o abuso físico (estupro, espancamento), mesmo que ocorrido uma única vez, tendo como agressor um adulto ou pessoa mais velha, pode causar danos irreparáveis aos jovens. Em vários casos, a morte. Violências cometidas por irmãos, mãe ou pai são às vezes considerados normais pelas próprias vítimas: os atos mais comuns são empurrar, bater ou jogar objetos, chutar, morder, dar murros, espancar, ameaçar, torturar ou até mesmo usar facas ou armas.

À guisa de ilustração, mostraremos a seguir um quadro com o número de óbitos por todas as idades e mortalidade proporcional por causas externas, em nosso país, nos anos de 1977, 1993 e 1997.

NÚMERO DE ÓBITOS DE TODAS AS IDADES E MORTALIDADE PROPORCIONAL POR CAUSAS EXTERNAS - BRASIL - 1977, 1993 e 1997

ANO

1977

1993

1997

% TOTAL

% TOTAL

% TOTAL

CAUSAS EXTERNAS

55.240

8,72

98,276

11,41

119.550

13,23

ACIDENTES

17.795

2,81

26.326

3,06

35.756

3,95

HOMICÍDIOS

8.715

1,38

28.743

3,34

40.507

4,48

SUICÍDIO

3.525

0,56

5.447

0,63

6.923

0,76

DEMAIS CAUSAS

25.205

3,97

35.760

4,15

36.364

30,91

TOTAL GERAL DE ÓBITOS

633.812

861.448

903.516

A tabela acima demonstra efetivamente o crescimento da mortalidade por causas externas, no país, no período de 20 anos, compreendido entre 1977 a 1997.

Pode-se observar que o percentual de óbitos pelo total de causas externas (acidentes, violências, intoxicações, suicídios, etc.) passou dos 8,72% (em 1977) para 13,23% (em 1997), o que significa um crescimento proporcional de 50%. Este crescimento, entretanto, não foi homogêneo para todas as causas externas e para todas as idades.

Nesses vinte anos, os números de acidentes de trânsito aumentaram em 40%; e os de suicídios em 35%. No período considerado, o grande aumento registrado ocorreu nos casos de óbitos por homicídio: proporcionalmente, em 1977 os homicídios representavam 1,38% do total de mortes do país; em 1997, esse número já havia ultrapassado a casa dos 4,48%, representando um incremento de quase duas vezes e meia, em duas décadas.

Mais dramática ainda é a constatação de que a maior parte dessas mortes atingiu a faixa etária de 15 a 29 anos. Em 1979, a mortalidade por homicídio, nesta faixa, representava 0,72% do total de óbitos; já em 1997, este número subiu para 3,35%, um aumento superior a 365%. Para confrontação, em 1997 morreram assassinados mais de 40 mil brasileiros; durante toda a guerra do Vietnã (13 anos), morreram 55 mil americanos.

Em vinte anos, foram registradas, em todo Brasil, mais de 500 mortes por assassinato, das quais cerca de 70%, ou 350 mil, vitimaram adolescentes e jovens adultos.

Outras formas de violência - usuais e presentes nas famílias, escolas, clubes e outros locais -, porém de detecção mais difícil, são os abusos psicológico e sexual, o abandono e a negligência. Atualmente, circulam no país e no mundo informações sobre o abuso sexual visando lucros, onde a prostituição de menores e a pornografia transformam crianças e adolescentes em presas fáceis de marginais.

A negligência pressupõe a falha da família em suprir as necessidades básicas das crianças e adolescentes - esta é uma violência onde a precariedade socioeconômica familiar e o descaso do cuidado com o jovem devem ser tratados com muita atenção.

Por sua vez, a exploração do trabalho infanto-juvenil vem preocupando sobremaneira não apenas os órgãos públicos de justiça e assistência social mas a sociedade como um todo, haja vista que os dados existentes indicam que as crianças adolescentes, moradoras nas zonas urbanas mais pobres, representam cerca de 75% do total da força de trabalho.

Felizmente, buscando formas de conciliar a educação e propiciar maior participação e envolvimento dos jovens e pais com as necessidades básicas de sobrevivência das famílias brasileiras, algumas empresas e grupos comunitários vêm desenvolvendo experiências exitosas mediante a utilização da música, esporte e teatro, o que contribui sobremaneira para atenuar o grave problema da violência entre adolescentes.

Para o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente e a efetiva conquista da cidadania, direcionar ações públicas, envolver as comunidades, diminuir os atuais índices de violência entre e contra os adolescentes deve ser compromisso de todos - onde o trabalho da segurança pública ganha papel de destaque, mas jamais deve ser assumido como única forma de combate á violência.

Atividades sugeridas

Considerando-se a especificidade do tema, as seguintes atividades podem ser desenvolvidas pelas comunidades, escolas, agentes comunitários de saúde, voluntários, empresas, organizações não-governamentais, etc.:

1. Utilização de música - as escolas podem e devem buscar parcerias, na comunidade, para a obtenção de instrumentos musicais, visando envolver os adolescentes a tocar um instrumento. A música acalma e funciona como eficaz ferramenta para a discussão de problemas mais sérios.

2. Criação de grupos de teatro - a possibilidade de expressar-se através da arte é fator importante para o jovem e contribui para diminuir a violência juvenil. 3. Cooptação de voluntários para reforço escolar nos trabalhos contra o tabagismo e o alcoolismo, bem como para aulas de informática, teatro, dança, etc.

4. Na luta para a diminuição da violência nas famílias, as empresas devem sensibilizar-se para a necessidade de atuar junto às unidades de saúde e escolas.

5. A participação de psicólogos, terapeutas, profissionais aposentados, mães e pais em grupos de discussões temáticas (drogas, fumo, mercado de trabalho, experiência de vida, etc.) realizadas nas escolas e órgãos de saúde é importante para a diminuição da violência entre os jovens.

6. Escolinhas de esportes - como sabemos, o envolvimento com esportes afasta o jovem das drogas e é fundamental para o exercício de uma vida mais saudável .

7. Criação de grupos de discussão direcionados apenas para os adolescentes - fundamental para o debate de temas pertinentes ao universo dos adolescentes.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

ADOLESCÊNCIA Xô, “porco-espinha”! A acne que costuma assombrar a adolescência tem tratamento

Espinha já foi um mal inevitável da juventude, contra o qual quase nada se podia fazer, mas a dermatologia vem desenvolvendo tratamentos cada vez mais eficazes para combatê-la. Comum dos 14 aos 20 anos, ela provoca pústulas que podem deixar cicatrizes na pele e marcas profundas na auto-estima dos adolescentes, até porque ataca principalmente rosto, peito e costas. "Às vezes, eu não queria nem ir à aula, por causa dos vulcões na minha cara", conta Diego de Abreu, de 16 anos e pele perfeita, depois de um tratamento de três meses.

"A acne surge por causa da produção das glândulas sebáceas, estimuladas pelos hormônios típicos da adolescência. Na mesma época, a pele engrossa e o sebo não consegue sair", diz a dermatologista Carolina Ferolla, do Hospital das Clínicas de São Paulo. O sebo acumulado forma os cravos. Quando a película que cobre os cravos se rompe, as bactérias que vivem na pele podem provocar uma inflamação e aí surgem as pústulas.

Em combate

A acne tem gravidade variável. No tipo mais leve, predominam os cravos, que passam de branquinhos a pretinhos, e são combatidos com cuidados domésticos, como manter a pele limpa. A inflamação caracteriza um grau mais elevado e deve ser tratada pelo dermatologista. "É a inflamação que leva à cicatriz e isso não depende só de não mexer na espinha", diz a dermatologista Leila Cutin Schainberg, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo. Os tratamentos são de dois tipos: com substâncias de uso externo, para afinar a pele e facilitar a vazão do sebo, e com os antibióticos, que combatem as bactérias causadoras da inflamação. Os produtos que agem sobre a pele vão dos sabonetes com enxofre ou ácido salicílico até os ácidos que provocam uma descamação maior, como o retinóico e o glicólico, entre outros. Os antibióticos também podem ser de uso externo, na forma de loções, ou devem ser ingeridos. Como praticamente não têm contra-indicações, o mais comum é que se associem os dois tratamentos - afinar a pele e atacar as bactérias -, por períodos médios de três a seis meses, em casos mais simples.

Só nos casos mais graves é que se usa a substância isotretinoína, o mais eficaz de todos os remédios, pois controla a própria glândula sebácea. Mas os efeitos colaterais são muitos, com riscos altíssimos para a gravidez e exigência de exames contínuos para monitorar fígado, colesterol e triglicérides.

LIMPEZA JÁ

Alguns cuidados rotineiros podem ajudar a controlar a maior oleosidade, que está na origem do surgimento da acne na adolescência. É essencial manter a pele limpa com o auxílio de sabonetes ou géis de limpeza à base de enxofre ou ácido salicílico. Os hidratantes, bronzeadores, filtros solares devem sempre ser do tipo oil-free (sem óleo) para não obstruir os poros. As limpezas de pele com esteticista, desde que bem-feitas, também ajudam a extrair os cravos maiores, diminuindo as chances de eles se tornarem espinhas.

domingo, 2 de novembro de 2008

emos,a nova tribo dos adolescentes.



Você já deve tê-los visto nas ruas, mas talvez não tenha percebido, dada a semelhança com outros grupos de jovens. Parecem punks, com suas roupas despojadas e acessórios metálicos, mas não têm posicionamento político. Lembram os góticos, com seus cabelos pretos, franjas enormes e olhos pintados, mas não conhecem a arte gótica e nem freqüentam cemitérios com os amigos. Em vez disso, encontram-se em praças e lugares badalados, misturam o preto a colares, lacinhos de cabelo e munhequeiras coloridas, pregam a liberdade sexual e têm entre 12 e 18 anos, em sua maioria. Gostam de ouvir um estilo de música chamado emocore, ou emotional hardcore, que mistura a batida do hardcore com letras românticas, e é daí que tiraram o nome de sua tribo: emos. Eles estão em todos os lugares, e estão na moda.Para quem acha que não sabe o que é emocore, basta ligar a televisão na MTV. Lá, estarão, no topo das paradas, os clipes de bandas como as brasileiras 4Fun, Fresno, Dance of Days, NX Zero e Emo. E as internacionais Simple Plan, Good Charlotte, Dashboard Confessional e My Chemical Romance. Os emos em geral gostam dessas bandas, mas muitas delas não se dizem emo. Não é à toa: ser emo virou, de repente, um insulto. Ser, deliberadamente uma banda emo, então, pode afastar muitos fãs que gostam da banda, mas odeiam o rótulo.Segundo a VJ da MTV Luísa Micheletti, de 22 anos, o emo é uma combinação: “É hardcore melódico, que têm influência punk, mas não é político, é sensível. As letras e melodias são voltadas para o amor, relacionamentos e problemas de família”. Os adolescentes gostam desse tipo de música porque acabam se identificando, diz ela. “É a fase dos conflitos familiares, da descoberta amorosa e da descoberta de si mesmo.” O visual também mescla influências. “Eles se vestem com uma certa influência do punk, mas com coisas fofas, como a Hello Kitty, por exemplo.”Isabella Monteiro de Souza Augusto, de 16 anos, se diz uma adolescente emo. “Gosto das músicas, mas não me visto muito como os emos”, conta. Para ela, ser emo não é apenas se vestir conforme manda o figurino, “mas sim gostar da música e, principalmente, da letra”. “Eu até me visto um pouco, mas nada muito exagerado. Não estou a fim de seguir os outros nisso. Gosto de ser eu mesma, apesar de ser emo. Não preciso me vestir assim para mostrar quem sou.”A música Cada poça dessa rua tem um pouco das minhas lágrimas, do grupo Fresno, é citada como uma de suas preferidas. “As letras falam sobre emoções, sentimentos, amor, ódio, tristeza, solidão, mas de uma forma muito detalhada.” Ela admite se identificar com algumas das canções. “Elas falam de coisas reais pelas quais passamos a cada momento.”Amanda Saboia Sales, de 18 anos, também é emo. Ela, ao contrário de Isabella, gosta de se vestir no estilo: usa roupas pretas, pulseiras, meias coloridas e tênis All Star há mais ou menos cinco meses. Mas, assim como Isabella, gosta muito das letras das músicas emo. Duas das músicas de que mais gosta são Hellena e I´m not OK, de My Chemical Romance. Ela também diz que as letras falam de amor, mas de forma profunda, e muitas vezes se identifica com elas.BandeiraAlém da música e do visual, os emos têm alguma ideologia? Marlon Dani Manhães Neto, de 17 anos, garante que sim. “Os emos tentam mostrar que, através do amor, tudo é possível. Buscamos demonstrar nossos sentimentos, sem ter vergonha do modo como a sociedade irá reagir, sempre com respeito, caráter e atitude.”A princípio, não se pode imaginar de que forma os emos poderiam incomodar outros grupos. Não se reúnem para brigar com outras tribos e, até por isso, parecem inofensivos. Não é isso, porém, que acontece na realidade. No site de relacionamentos Orkut, por exemplo, há dezenas de comunidades, com milhares de membros, cujos nomes até variam um pouco, mas a idéia é sempre a mesma: Ainda jogo uma bomba num show emo, Emo, nem morto, Chora emo, Eu odeio emodinha, Mate um emo e seja feliz, Hitler era emo, Será que existe emo macho?, entre diversas outras.GeneralizaçãoO rótulo “emo” é uma das coisas que mais incomoda os adolescentes. Dentro desse universo, grande parte não se define como um legítimo emo. Tem quem goste da música, mas não do visual. Há quem goste do visual, mas não da música. E há quem goste dos dois. “A maioria das pessoas que você perguntar vai negar que é emo. É uma moda adolescente, mas ninguém quer ser rotulado. As pessoas são diversas demais e a personalidade não pode ser definida por tão poucas coisas”, diz a VJ Luísa.MúsicaRonaldo Rinaldi Ceron, o DJ Click, conhece bem os emos e acha que a tribo é odiada por diversos motivos. No entanto, vê um lado positivo na existência dessa tribo. Para ele, é preferível que os adolescentes ouçam hardcore e emocore do que pagode e axé, que, em sua opinião, são muito piores. “Pelo menos, o estilo não é vulgar”, considera. “Seguindo esse caminho, daqui a uns anos, vão amadurecer, pesquisar e descobrir um rock mais maduro.” Como exemplo, o DJ cita, nos anos 80, The Smiths, Joy Division e The Cure. Nos anos 90, Smashing Pumpkins e R.E.M.. Atualmente, The Killers, Kaiser Chiefs e The Strokes. “Queiram ou não, eles têm uma raiz no rock. As roupas que eles usam são influências das bandas dos anos 70, 80 e 90.”PsicologiaMas há motivo para os pais se preocuparem se têm filhos emos? Especialistas dizem que não. “Como todo grupo de jovens, os emos preenchem necessidades individuais de seus participantes. A adolescência é um período em que a antiga identidade infantil foi perdida, a partir da consciência da existência da individualidade, e busca-se nos iguais um espelho, um outro que retrate o que se está sendo”, diz o psicoterapeuta Miguel Perosa.“Além das alterações do corpo pelas quais já passaram, nesta fase, os adolescentes perdem vários ideais, que envolvem os pais infantis e o deixar de ser criança. Estes grupos tentam facilitar essas elaborações e revelam um aspecto da adolescência que é a atitude de se opor”, completa a psicóloga Ivonise Fernandes da Motta.O visual, segundo Perosa, é muito importante nessa fase e especialmente hoje em dia, “numa cultura marcada fundamentalmente pela imagem”. “Os piercings, as tatuagens, o cabelo, são o visual de pertencimento ao grupo. Proibi-los é o mesmo que dizer que o filho não pode ter interação social. Acredito que se deve apenas coibir os exageros, não proibi-los.”Para Ivonise, os emos são, sob um certo aspecto, melhores do que outras tribos. “Se bem direcionado, o grupo tem um efeito positivo. Sem dúvida, é um grupo melhor, por não aliar violência e delinqüência. Eles têm limites mais diferenciados: ‘não preciso atacar o outro para afirmar minha identidade’.” Para ela os grupos que precisam agredir outras pessoas demonstram uma fragilidade muito grande.E quanto à aparente tristeza? “Depressão é diferente de tristeza. Uma característica básica da depressão é o enorme desânimo, a falta de energia para a realização de qualquer atividade, individual ou coletiva. Talvez essa característica seja um bom critério diferencial, junto com a perda de sono e de apetite”, diz Perosa. “Se os pais perceberem que o adolescente apresenta uma tendência passiva muito grande, uma certa oposição a enfrentar o dia-a-dia, a realidade, pode ser um sinal. A questão não é ser emo, e sim outras dificuldades que o adolescente está tentando enfrentar e não está conseguindo”, completa Ivonise.